Deixo essa etapa da jornada cheio de gratidão. Tive a honra de ajudar a fundar e presidir o SINAPRO Piauí entre 2006 e 2025, acompanhando sua trajetória desde o início. Nesta caminhada, também atuei como vice-presidente da ALAP – Associação Latina Americana de Publicidade e participei ativamente da fundação da ABAP – Associação Brasileira das Agências de Publicidade-Capítulo Piauí, entidade que igualmente tive a honra de presidir.
Muitas vezes dediquei meu expediente na agência, horário de almoço, finais de semana e madrugadas à construção da organização do nosso negócio.
Agradeço profundamente a todos que compartilharam essa construção coletiva, especialmente aos companheiros como George Mendes, Vinicius Melo e toda a diretoria, nomes no site do SINAPRO, na seção agências fundadoras, que estiveram ao nosso lado ao longo desses anos. Também guardo com carinho o privilégio de ter atuado como conselheiro da ABAP na gestão do Dalton Pastore e na FENAPRO na gestão do Ricardo Nabhan.
Foram anos fortes de convivência, debates, divergências, aprendizados e construção conjunta. Acima de tudo, foram anos de dedicação a um setor que ajudou a moldar minha trajetória profissional e pessoal.
Aprendi que o associativismo exige coragem. Para dedicar tempo, energia e reputação em favor de algo maior do que os interesses individuais. Quem ocupa funções institucionais sabe que raramente há unanimidade — mas há propósito. E é justamente esse propósito que move pessoas comprometidas em fortalecer as agências, defender a atividade publicitária e contribuir para um mercado mais ético, sustentável e eficiente.
O mercado publicitário piauiense continua extraordinário: criativo, resiliente e vibrante. Ao mesmo tempo, vive transformações profundas. Mudaram os modelos de negócio, a relação com os consumidores, a tecnologia, os meios, os dados, a velocidade e até a própria lógica de valor da comunicação.
Talvez uma das maiores lições da maturidade seja reconhecer o momento de abrir espaço.
Acredito sinceramente que os ciclos de dedicação dos mais experientes precisam dar lugar às novas lideranças — não como ausência, mas como gesto de inteligência, renovação e generosidade. O que nos trouxe até aqui certamente não será exatamente o que nos conduzirá ao futuro.
Em determinado momento, percebi que começava a analisar muitos desafios a partir das soluções do passado. E, quando isso acontece, é preciso ter honestidade para reconhecer a realidade e compreender a necessidade da renovação.
Isso não diminui a história de ninguém. Pelo contrário. A experiência continua sendo essencial — agora como apoio, memória, aconselhamento e incentivo para aqueles que chegam com novas ideias, novas linguagens e novos olhares.
Deixo essas funções institucionais com serenidade e orgulho. Orgulho de tudo o que construímos coletivamente. Pelas amizades verdadeiras, pelos debates difíceis e pelas conquistas silenciosas que ajudam a sustentar o nosso ecossistema publicitário.
Sigo acreditando profundamente no futuro da nossa atividade.
A publicidade continuará sendo uma das grandes forças da economia criativa, da liberdade de expressão comercial, da construção de marcas, da informação e do desenvolvimento do nosso estado. Mas exigirá, cada vez mais, pessoas inquietas, abertas ao novo e capazes de compreender as mudanças sem medo de transformá-las em oportunidades.
Aos que seguem nessa missão associativa, deixo meu respeito, apoio e admiração. O setor precisa de vocês.
E aos mais jovens, desejo coragem para liderar sem repetir modelos apenas porque “sempre foi assim”. O futuro do mercado publicitário dependerá justamente da capacidade de construir novos caminhos — sem perder os valores que trouxeram nossa indústria até aqui.
